Santana Lopes falava na aldeia de Ladeira (Fundão), onde hoje não vivem mais de 20 pessoas, e onde assumiu que o PSD tem responsabilidades repartidas com o PS no aumento de assimetrias regionais nos últimos 30 anos.
«Há concelhos do interior que procuram mão-de-obra qualificada, como engenheiros florestais ou economistas, têm das remunerações mais altas de todo o país e mesmo assim as pessoas não vêm», descreveu.
«É para isto que o poder em Lisboa tem que acordar», referiu Santana Lopes, numa visita do grupo parlamentar do PSD ao distrito de Castelo Branco.
Para além de Ladeira, os deputados de vários círculos eleitorais passaram pelo centro de saúde de Oleiros, por uma empresa de transformação de madeiras e pela Aldeia Histórica de Castelo Novo.
Apesar da visita ser destinada «sobretudo a ouvir», Santana Lopes prometeu lutar no Parlamento para que, «na parte fiscal, seja dada discriminação positiva às empresas que já cá estão».
Os benefícios fiscais em vigor prevêem que as empresas que operem no interior paguem uma taxa de IRC de 15 por cento e que as que se localizem com novas instalações tenham uma taxa de 10 por cento, durante os primeiros cinco anos da sua actividade.
Na área da saúde, «não levamos a mal que o governo não leve por diante uma política de continuidade relativamente ao encerramento de serviços de saúde», referiu.
Santana Lopes recordou a possibilidade de encerramento de uma maternidade entre as três da Beira Interior (Guarda, Covilhã e Castelo Branco), considerando-a «um sinal errado».
«No governo que liderei, quando levaram a proposta de encerramento da maternidade de Chaves a Conselho de Ministros, mandei-a para trás», recordou.
Santana Lopes classificou ainda como «muito importante» a nova proposta de traçado para o itinerário complementar 31 (IC31), apresentada pelos autarcas do Fundão e Oleiros, que prevê uma ligação directa da fronteira de Monfortinho ao concelho de Oleiros, atravessando o distrito de Castelo Branco a meio.
Para Santana Lopes, durante a aplicação dos fundos comunitários associados ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) os portugueses «têm que ser vigilantes permanentes para não voltar a haver uma distribuição de verbas desequilibradas que deu neste desequilíbrio».
Como exemplo, aponta o financiamento da ponte Vasco da Gama. «O financiamento saiu do Fundo de Coesão, que devia servir para corrigir as assimetrias regionais».
«Também assumimos a nossa quota parte de responsabilidade», acrescentou.
«A interioridade é uma realidade com 30 anos, com responsabilidades repartidas entre PS e PSD». «Três décadas depois, o país está muito mais desequilibrado», sublinha.
Neste cenário, o líder parlamentar do PSD considera que José Sócrates tem responsabilidades acrescidas por ser um homem do interior.
«A auto-estrada não foi obra de um só governo, mas o engenheiro Guterres teve o seu papel. Agora choca-nos e estranhamos que medidas como as da área da saúde estejam a ser tomadas para zonas do país que o líder do actual governo conhece tão bem», disse.
Fonte: Diário Digital / Lusa
Reportagem RTP

